Fundamentalismo religioso
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Fundamentalismo religioso

FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO E A NECESSIDADE DO ECUMENISMO NO ACRE 1

Airton Chaves da Rocha 2

Resumo: o artigo procura definir de forma esquemática o que é fundamentalismo, como o fundamentalismo religioso surgiu, como tem se manifestado ao longo do tempo, indicando que o fundamentalismo religioso deva ser combatido. O texto tem como objetivo possibilitar uma reflexão no sentido de nos questionarmos se somos ou não fundamentalistas. A metodologia utilizada consistiu em uma pesquisa bibliográfica. O resultado alcançado com a análise conceitual e sobre as manifestações do fundamentalismo contemporâneo, nos indica que precisamos estar em vigilância permanente contra qualquer tipo de fundamentalismo.

Palavras- chave: Fundamentalismo, Verdade, Intolerância, Ecumenismo.

Introdução.

“Os fundamentalismos estão aí com grande ferocidade. Eles não podem ficar escondidos atrás de belas expressões.”

Leonardo Boff

Como alerta o teólogo brasileiro Leonardo Boff, no epigráfe acima, os fundamentalismos estão atuando com ferocidade, embora muitas vezes escondidos atrás de belas expressões, inclusive religiosas. O também teólogo Norberto Martin Dreher, faz uma pergunta perturbadora e desconcertante: “Você é fundamentalista”? Ele diz que se essa fosse dirigida a nós, certamente responderíamos com um sonoro “não”.

A partir desses dois pensadores podemos nos perguntar: Mas o que é mesmo fundamentalismo? Como os fundamentalistas atuam? Eles se utilizam de disfarces? Já paramos para refletir se somos ou não fundamentalistas? Como combater os fundamentalismos?

Para problematizar essas e outras questões vou, embora superficialmente, definir o que fundamentalismo e principalmente o que é fundamentalismo religioso, o contexto histórico em que este surgiu, buscando também identificar como ele se manifesta hoje. Entendo que para desenvolvermos uma reflexão, embora superficialmente, sobre o fundamentalismo religioso, precisamos inicialmente compreender o que é o fundamentalismo em sua essência.

Fundamentalismo.

Para compreendermos o conceito de fundamentalismo religioso e o contexto histórico em que e o mesmo surgiu, precisamos inicialmente definir o que é fundamentalismo. Para definirmos o que é fundamentalismo três autores foram selecionados: Norberto Martin Dreher, Pedro Lima Vasconcellos e o frei Leonardo Boff.

Norberto Martin Dreher, doutor em teologia com estudos concentrados em história da Igreja, define a essência da palavra que define o conceito de fundamentalismo:

“O conceito de fundamentalismo tem sua origem na palavra fundamento...Não há argumento que possa ser formulado sem fundamentos, não há existência humana sem fundamento...Por esse último aspecto, somos todos fundamentalistas, pois todos necessitamos de fundamentos, de alicerces para a nossa existência.” 3

Por definições como a acima citada todo ser humano é fundamentalista, mas o autor do livro em discussão faz ressalvas quanto ao emprego do termo fundamentalismo.

“Quanto mais cresce o caudal da literatura acerca do fundamentalismo, tanto mais difusos se tornam os contornos do conceito e da própria questão...Há um uso realmente inflacionário do conceito...No início do uso do conceito, a situação era outra.” 4

Dreher ressalta que o termo, hoje pejorativo, ambíguo, híbrido, não tinha o mesmo sentido quando cristãos atribuíram o conceito fundamentalismo: “Grupos de cristãos protestantes conservadores atribuíram a si mesmo essa designação no princípio do século XX, nos Estados Unidos da América do Norte.” 5

Pedro Lima Vasconcellos, teólogo, mestre em Ciências da Religião, doutor em Ciências Sociais e professor da PUC-SP, amplia o conceito de fundamentalismo associando-o ao sentido de verdade única, gerando a intolerância para com aqueles que pensam diferente daqueles que se dizem possuidores da única verdade.

“O conceito ‘fundamentalismo’ é associado à adesão a uma verdade, mas poderia ser pensado na relação com a intolerância diante de quem compreende possuir e viver outra percepção dessa verdade.” 6

A ideia de verdade única gera a discordância do outro ou dos outros que pensam e agem diferentes. Nesse período histórico do mundo globalizado ou da pós-modernidade, não existe uma única verdade, mas o confronto de várias verdades.

Na apresentação do livro “Fundamentalismo, terrorismo, religião e paz: desafios para o século XXI” do teólogo brasileiro Leonardo Boff, encontramos a definição de que o fundamentalismo:

“não é uma doutrina, mas uma forma de interpretar a viver a doutrina...Fundamentalismo representa a atitude daquele que confere caráter absoluto ao seu ponto de vista...quem se sente portador de uma verdade absoluta não pode tolerar outra verdade e o seu destino é a intolerância que gera o desprezo do outro.”

Percebe-se que essa compreensão do que seja fundamentalismo se aproxima da concepção de Vasconcellos, ou seja, o caráter de verdade única, absoluta, gerando em contrapartida o desprezo do outro, por pensar diferente.

Fundamentalismo Religioso.

Definido de forma didática o que se pode compreender por fundamentalismo, discutiremos agora, também de forma esquemática, o que é fundamentalismo religioso, procurando situar o contexto histórico em que sugiram os fundamentalismos Protestante, Católico, Islâmico e Judaísmo. Deixarei de abordar o fundamentalismo no Budismo, no Hinduísmo. Para fazer a discussão utilizaremos os três autores citados anteriormente.

Leonardo Boff compreende que o fundamentalismo religioso surgiu nos Estados Unidos da América, através do protestantismo norte-americano:

“O nicho do fundamentalismo se encontra no protestantismos norte-americano, especialmente entre os pilgrims que vieram da Holanda e da Inglaterra, expulsos em 1620 por exigirem reforma no cristianismo, e acabaram sendo os pais da pátria norte-americana.” 7

Esse teólogo menciona onde o fundamentalismo protestante se proliferou a partir da interpretação literal que religiosos fizeram a Bíblia:

“O fundamentalismo protestante ganhou sua forma clássica a partir do trabalho de teólogos e pregadores que atuavam dentro da Universidade de Princeton. Estes tomavam as palavras da Bíblia ao pé da letra (para a fé protestante o fundamento de tudo é a Bíblia). Cada palavra, cada sílaba e cada vírgula, dizem os fundamentalistas é inspirada por Deus. Como Deus não pode errar, então tudo na Bíblia é verdadeiro e sem qualquer erro.” 8

Boff analisou que essa corrente de fundamentalistas protestantes se opôs a outra corrente de religiosos protestantes da chamada “Teologia Liberal”. Boff afirma que essa corrente religiosa:

“...usava e usa ainda hoje, os métodos histórico-críticos e hermenêutico para interpretar textos escritos milhares de anos atrás. Segundo estes métodos, a história e as palavras não ficam congeladas no passado, mas mudam de sentido ou ganham novas ressonância de acordo com a mudança dos contextos históricos.” 9

Boff entende que na concepção dos fundamentalistas protestantes o procedimento dos religiosos da Teologia Liberal é ofensivo a Deus. Esse autor analisa também que os fundamentalistas,

“se opõem também aos conhecimentos contemporâneos da História, da Geografia... da Biologia, que possam questionar a verdade bíblica. Em muitas escolas no sul dos Estados Unidos, onde predomina esse tipo de fundamentalismo, impõe-se até hoje o criacionismo estrito e se rejeita a concepção evolucionista do mundo e da vida. Para o fundamentalista, a criação se realizou mesmo em sete dias, o ser humano foi feito literalmente de barro e Eva foi tirada da costela de Adão.” 10

Boff  ressalta ainda que

“Na moral, o fundamentalista é especialmente inflexível, particularmente no que concerne à sexualidade e à família. É contra os homossexuais, o movimento feminista e todos os processos libertários em geral.” 11

Para o autor em análise “O fundamentalismo protestante ganhou relevância social nos Estados Unidos a partir dos anos 50 do século XX com as Igrejas eletrônicas.” 12

Após expor como os fundamentalistas protestantes dos EUA interpretavam e interpretam a Bíblia Boff faz uma ressalva importante: “Naturalmente nem todos os protestantes conservadores são fundamentalistas.” 13

Leonardo Boff no livro já citado analisa também o fundamentalismo católico. Para ele

“O fundamentalismo católico (e de todo cristianismo de modo geral) tem raízes profundas e muito antigas. Apoia-se na convicção de ser o único portador da verdade absoluta. Portanto, julga-se no direito e no dever de levar esta verdade a todo o mundo, porque todos os demais estão privados dela e são vítimas das artimanhas de satanás.” 14

Boff tem razão ao afirmar que o fundamentalismo católico tem raízes antigas. Basta lembrarmos que a história da Igreja Católica é anterior ao protestantismo norte-americano e mesmo a Lutero. Quando ele faz referência à posição da Igreja Católica de que deveria ser levada a verdade a todos os povos “vítimas das artimanhas de satanás”, evidencia a postura fundamentalista da Igreja de Roma. Boff lembra que:

“No tempo da colonização ibérica, a verdade fundamentalista ganhou a forma de imposição... Os papas sentiam-se representantes de Deus e por isso senhores do mundo. Distribuíam favores a reis e príncipes com arrogância e fundamentalismo.” 15

Para Boff o fundamentalismo católico se fundamentava: “Há somente um Deus, um papa, um rei, uma cultura e uma ordem mundial querida por Deus.” 16

Para evidenciar a autoridade dos papas Boff cita bulas que caracterizam as relações entre o poder religioso dos papas  e o poder político dos reis. Ele faz referências aos papas Alexandre VI(1492-1503) e a Nicolau V(1447-1455) e a distribuição de favores a reis e príncipes. Boff cita a Bula do Papa Alexandre VI dirigida aos reis da Espanha:

“Pela autoridade do Deus todo-poderoso a nós concedida em São Pedro, assim como do vicariato de Jesus Cristo, vos doamos, concedemos e entregamos com todos os seus domínios, cidades, fortalezas, lugares e vilas, as ilhas e as terras firmes achadas e por achar.” 17

Boff cita também a Bula do Papa Nicolau V dirigida aos reis de Portugal dando a eles:

“a faculdade plena e livre para invadir, conquistar, combater, vencer e submeter a quaisquer sarracenos e pagãos em qualquer parte que estiverem e reduzir à servidão perpétua as pessoas dos mesmos.” 18

Percebe-se que no passado, no tempo da conquista do Novo mundo, papas valendo-se em nome de Deus, de uma verdade única e absoluta, concederam autoridades a reis, inclusive escravizar pessoas. Mas o fundamentalismo católico continua existindo. Segundo Boff

“Ainda hoje há dentro do catolicismo setores que prolongam, embora de forma sutil, o antigo fundamentalismo, disfarçado sob os nomes de restauração e de integrismo...Visa-se uma integração de todos os elementos da sociedade e da história sob a hegemonia do poder espiritual representado, interpretado e proposto pela Igreja Católica...o inimigo a combater e a modernidade.” 19

Boff analisa que existe na Igreja Católica “Os grupos da restauração e do integrismo vivem uma duplo fundamentalismo: um doutrinal e outro ético-moral.” 20 Ele afirma que um restauracionismo de cunho fundamentalista em andamento e cita o retorno da missa em latim, a discriminação das mulheres em exercer o sacerdócio, o rebaixamento dos leigos;  características fundamentalistas em setores do pentecostalismo católico.

Leonardo Boff analisou também o Fundamentalismo Islâmico. Para ele esse tipo de fundamentalismo ganhou mais visibilidade nos meios de comunicação recentemente devido a acusação de responsabilidade pelo atentado de 11 de setembro e 2001. Para Boff “O islamismo original... Não é guerreiro nem fundamentalista. É tolerante para com todos ‘os povos do livro’(judeus e cristãos).” 21

No entanto, para Boff todos,

“Aqueles que tomam o Alcorão como revelação enlivrada (feito livro) e tentam aplicá-la em todos os campos da vida, no sagrado e no profano, na sociedade e na organização do Estado, tendem a ser fundamentalista. Criam um Estado teocrático e acabam impondo a todos, mesmo aos não muçulmanos, a famosa Sharia...que é a lei islâmica.” 22

Para esse autor a origem do islamismo tem datação no século VII, pois Maomé nasceu por volta de 570 e morreu em 632 de nossa era. Atualmente situação ideológica do islamismo é dividida entre xiitas e sunitas. 23  Para Boff com o controle por parte do Ocidente das bacias petrolíferas situadas nos territórios muçulmanos do Oriente Médio, com a globalização econômico-financeira na região e com a entrada dos valores ocidentais “Os muçulmanos tendem a ver nos ocidentais os ateus práticos, os materialistas crassos e os secularistas ímpios...a partir dos anos 80 do século passado surgiu o neofundamentalismo islâmico,” 24 esse caldo anticultural fez germinar o fundamentalismo islâmico.

Algumas palavras sobre o Fundamentalismo no judaísmo. Para Karem Armstrong: 25

“O etos moderno era claramente hostil ao judaísmo. Apesar de frisar tanto a tolerância, os pensadores do Iluminismo desprezavam os judeus. Raça totalmente ignorante... uma objeta avareza... um ódio violento de todas as nações que os tem tolerado, etc.”

Percebe-se que principalmente a partir do Iluminismo, século XVIII, muitos foram os termos pejorativos contra os judeus, gerando a reação fundamentalista. A história de hostilização e perseguição aos judeus todos conhecem.

A partir dos autores citados podemos iniciar a conclusão desse texto afirmando que o contexto histórico em que o fundamentalismo Religioso surgiu foi no Ocidente cristão, que a palavra ‘fundamentalismo’ é fruto e decorrência do que se convencionou chamar de Modernidade. É possível afirmar que os maiores fundamentalismos encontram-se no Ocidente, foram gestados aqui em oposição à Ilustração e ao liberalismo e são filhos diletos do Romantismo.

Para Leonardo Boff o fundamentalismo religioso se manifesta hoje através do maniqueísmo: a luta do bem contra o mal e seus argumentos não precisam ser religiosos, pois todos os fundamentalistas se parecem: os religiosos e os dos mercados. “Os religiosos porque vivem dos dogmas da fé. Os do mercado porque, para eles, o mais importante são as leis que regem a compra e a venda de seus produtos” Boff lamenta: “pessoas que não vislumbram mais o arco-íris, mas só vêem preto e branco, luz e trevas.”

Os autores discutidos neste artigo caracterizam a importância de se combater todo e qualquer tipo de fundamentalismo. Para Boff se combate o fundamentalismo com argumentação racional, com diálogo, com tolerância; não pela vontade de poder, mas pela vontade de conviver; combatendo o terrorismo, construindo a paz, a justiça, praticando o espírito da gentileza. Para esse autor Todo fundamentalismo é sempre de um sistema fechado, feito de claro ou de escuro, inimigo de toda diferenciação, cego a lógica do arco-íris, onde a pluralidade das cores convive com a unidade do mesmo fenômeno.

Para Pedro Lima Vasconcellos: “Combater o fundamentalismo não é ser intolerante. Ser intolerante com os religiosamente intolerantes é apenas salvaguardar um mínimo espaço de cidadania para que as pessoas partilhem suas visões de mundo sem se autodestruírem.” Norberto Martin Dreher acrescenta: “Porém o trágico das formulações de nossos dias é que ‘fundamentalistas’ são sempre os outros, jamais nós próprios” Para Lloyd Geering a guerra não é a resposta ao terrorismo e ao fundamentalismo, no seu entendimento não há respostas exatas para o problema. Para ele “O melhor que podemos fazer é dialogar com os fundamentalistas para tentar entendê-los.”

Ao terminar essa pequena exposição deixo claro (e você percebeu) que não pretendi realizar uma análise profunda de um tema tão amplo e complexo, portanto a análise do tema não se esgota aqui, nem poderia. O que realizei foi apenas uma esquematização, um roteiro, que nos ajude a refletir sobre nossos comportamentos individuais e coletivos. Um alerta contra posturas fundamentalistas.

Tenho convicção que a prática social exercida nas reuniões do Instituto Ecumênico Fé e Política nos sete anos de sua existência é um verdadeiro antídoto contra a intolerância religiosa e pelo diálogo entre os religiosos.

Notas

1 O presente texto foi apresentado como palestra de abertura da 1ª Conferência da Diversidade religiosa do Acre, em novembro de 2011, em Rio Branco-Acre.

2 Historiador com mestrado e doutorado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professor Adjunto da Universidade Federal do Acre.

3 DREHER, Martin Norberto. Fundamentalismo. São Leopoldo: Sinodal, 2006, pag.5.

4 Idem, pag. 81.

5 Ibidem, pag. 82.

6 VASCONCELLOS, Pedro Lima. Fundamentalismos: matrizes, presenças e inquietações. São Paulo: Paulinas, 2008, p.15.

7 BOFF, Leonardo. Fundamentalismo, terrorismo, religião e paz: desafios para o século XXI. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009, p.9.

8 Idem, pag.11.

9 Ibidem, pag.11/12.

10 Ibidem, pag.12.

11 Ibidem, pag.13.

12 Ibidem, pag.13.

13 Ibidem, pag.13.

14 BOFF, 2009, pag.15.

15 Idem, pag.15.

16 Idem, pag. 16.

17 Idem, pag. 16.

18 Idem, pag. 16.

19 Idem, pag. 16/17.

20 Idem, pag. 17.

21 Idem, pag. 25.

22. Idem, pag. 27.

23 Idem, pag. 23.

24 Idem, pag. 30.

25 ARMSTRONG, Karen. Em nome de Deus: o fundamentalismo no Judaísmo, no Cristianismo e no Islamismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

Referências bibliográficas

ARMSTRONG, Karen. Em nome de Deus: o fundamentalismo no Judaísmo, no Cristianismo e no Islamismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

BOFF, Leonardo. Fundamentalismo, terrorismo, religião e paz: desafios para o século XXI. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.

DREHER, Martin Norberto. Fundamentalismo. São Leopoldo: Sinodal, 2006.

GEERING, Lloyd. Fundamentalismo: desafio ao mundo secular. São Paulo: Fonte Editorial, 2009.

VASCONCELLOS, Pedro Lima. Fundamentalismos: matrizes, presenças e inquietações. São Paulo: Paulinas, 2008.


 

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